Ele seguiu a conversa da seguinte forma:
"As pessoas querem milagres, e não soluções.
Viajamos para Poços de Caldas em uma excursão. Eu tinha ido lá há mais de 20 anos, para instalar um forno em uma das fábricas de cristal da região. Voltei até lá para ver se encontrava algum conhecido. Não encontrei ninguém.
Fui até a loja da fábrica para comprar um presente. Lá estavam diversas bolas com rosas de cristal dentro, bolas maciças. Uma delas era totalmente transparente e não tinha nada dentro, tinha um defeito de fabricação. Eu a comprei para servir de peso de papel na minha mesa.
Ao retornar para o hotel, o gerente me perguntou o que era o presente. Mostrei a ele e disse que a minha bola de cristal atual para ver o futuro estava embaçada e com a imagem ruim, então comprei outra. Ele não comentou nada e subi para o meu quarto.
Por volta das 19h, quando descemos para ir a um passeio da excursão, o gerente do hotel me procurou novamente. Havia uma enorme tenda montada na entrada do hotel, com uma mesa e duas cadeiras, uma fila de pessoas e ele me disse que elas estavam me esperando para ler o futuro delas, na minha recém comprada bola de cristal. Como outras pessoas na excursão cantavam, tocavam instrumento e promoviam diversão para os demais, entrei na brincadeira. Voltei ao meu quarto, coloquei um cachecol como turbante, e desci com a bola de cristal.
Comecei a 'atender' as pessoas. Pegava nas mãos delas, inclinava a cabeça com os olhos fechados, e proferia palavras de incentivo. As pessoas saíam mais felizes de lá. Passadas duas horas, olhei para fora e vi que a fila descia a escada do hotel. O gerente me convenceu a continuar, contra a minha vontade.
Às 23h, a fila acabou e, exausto, saí da tenda. Então, o gerente me procurou e perguntou o que fariamos com o dinheiro. 'Que dinheiro', perguntei. Ele me mostrou uma sacola em que as pessoas depositaram contribuições voluntárias. Para não ser responsabilizado por aquilo, perguntei a ele se havia alguma creche por perto. A Sociedade São Vicente de Paulo era em frente ao hotel. Então, chamei o gerente para ir até lá comigo, como testemunha, e depositei todo o dinheiro no cofre deles."
Essa história me fez refletir sobre a responsabilidade que temos sobre nossas próprias vidas. Mesmo com todo o tipo de incentivo, cabe a nós entrarmos em ação para promovermos mudanças verdadeiras. Nada cai do céu, e mesmo que caísse, não teria utilidade ficando parado. Portanto, mexa-se para realizar os seus sonhos.